Primeiramente pedimos desculpas aos nossos leitores pelo ghosting de duas semanas! (pra quem tanto gosta de falar mal de quem dá ghosting… mas é o que dizem: o sonho do oprimido é ser o opressor). Tivemos umas semanas movimentadas e alguns conflitos de agenda; mas a boa notícia é que estamos de volta!
Para quem não viveu (spoiler: nós mesmos) o bug do milênio, ele foi uma movimentação que aconteceu na virada dos anos 1999 para o ano 2000. As pessoas acreditavam que os computadores iriam dar pane na troca das datas e isso desencadearia um caos iminente. O lugar que estamos tentando alcançar é: o bug do milênio foi a primeira vez que as pessoas se preocuparam tanto com o mundo digital a ponto de tornarem ele o centro de suas vidas (nem que tenha sido por um curto período); seria então esse evento millennial o ponto chave que mudou pra sempre a história das relações na era digital, tal qual o Big Bang foi o ponto chave que mudou a história do que hoje conhecemos como o universo?
Vamos avançar duas décadas e estamos no ápice da era digital, e com isso: das situationships online, onde a maioria dos relacionamentos surgem a partir de apps de relacionamentos e redes sociais. As nossas relações passam a ser ditadas por algoritmos e curtidas esporádicas em stories no Instagram. Onde foi parar o romantismo? Agora temos que nos submeter a gastar nossa energia em responder mensagens e pensar em assuntos para manter uma simples conversa.
Pedro, aqui. Nessas últimas semanas a vida online tem sido a fonte de todos os meus problemas. Tudo se inicia quando, semana passada, meu ex ficante (para os mais íntimos: enviado do inferno) deu em cima de um amigo meu no insta. Gente, por favor, né? Cadê a noção?! Eu não quero ele de volta… mas também não quero que ele fique com outros! (ele sendo o próprio dono do canil de tão cachorro e rodado) Ou seja, se o Instagram não existisse, isso jamais aconteceria. E não para por aí: esses dias comecei a trocar mensagens com um menino e parecia tudo perfeito! Conversávamos bastante e bem seguido, e quatro dias depois já marcamos de nos vermos. Mas… sabe quando você conhece a pessoa e pessoalmente parece tudo meio estranho? Como se algo não tivesse batido, e ela nem se parece mais com a mesma pessoa com quem você estava adorando conversar por mensagem. Realmente achei que ele pudesse ser o THE ONE… mas pelo visto ele também achou que não foi a mesma coisa pessoalmente: antes eu era prioridade dele e desde que nos vimos, voltei a ser um qualquer, e isso fica claro na forma que ele passou a me responder. E junto de tudo isso, o tal do “enviado do inferno” postou uma foto tão delicioso no Insta… (pra vocês verem como esse app é demoníaco, né?) E como ainda me resta um pouco de auto respeito, eu não vou curtir nem fazer nada (por mais que não esteja faltando vontade…) Resumindo, estou perdido e sem esperanças no meio de tanta situationship online! Espero poder retornar com notícias melhores nas próximas edições.
Não querendo generalizar (porque sempre existem exceções), mas já generalizando, é muito triste quando paramos pra pensar que atualmente o nosso medidor de interesse em um terceiro se baseia em: adicionar a pessoa nos melhores amigos, curtir stories, tempo de espera para respostas, enviar reels… isso sem contar com o fato que: você não pode responder rápido demais pra não parecer desesperado, mas também não pode levar tempo demais pra responder pois isso incitaria desinteresse. O tempo todo, a sensação é de estar pisando em ovos, sem poder fazer movimentos bruscos demais.
Mel, aqui. Eu estaria mentindo se dissesse que não amo uma situationship online. Honestamente, acho que dentro do meu ciclo social eu bato recorde de quantas vezes já desenvolvi sentimentos reais por pessoas que vi pouquíssimas vezes, ou pior, nunca sequer vi. O curioso é, eu sempre fui a que esteve desse lado: a pessoa envolvida na situationship, e não a que era abençoada (ou amaldiçoada?) com o fato de ter que passar o dia inteiro ouvindo reclamações referente ao conversante que está levando tempo demais para responder ou que parece estar agindo estranho. Os papéis se inverteram quando eu acompanhei a primeira situationship online do Pedro; foi quando eu percebi, na marra, o quanto nós ficamos insuportáveis quando passamos a definir o nosso humor com base na presença (entre aspas, rs) do outro. Em rolês com amigos, você negligencia total a presença deles e fica o tempo todo cuidando caso tenha chegado alguma mensagem de fulano. Os seus planos começam a ser feitos com base em quais lugares você poderia, por acaso, encontrar com ele (isso sem contar que, quando existe uma pequena chance de você se encontrar com o fulano, você até pensa em desmarcar com os amigos). A real é essa: nosso dia a dia passa a girar em torno dessa pessoa, que agora tem toda a nossa energia depositada nela, tudo isso porque estamos em busca de uma conexão que pelo menos soe real nessa era digital dos relacionamentos.
Não estamos aqui para demonizar completamente os relacionamentos que começam pelo online, porque, considerando a época em que vivemos, se envolver com alguém que você conheceu em uma rede social ou aplicativo de relacionamento vai virar evento canônico para todos nós. Esse “evento canônico”, porém, passa a ser um problema quando existe a repetição de padrões; quando você passa a se desprender das relações reais para focar 100% no que o digital tem a te oferecer. Isso vira um problema quando você deixa de agir como você normalmente agiria, ou deixa de responder o que você normalmente responderia, porque a pessoa com quem você está conversando não faria igual; quando você começa a manipular as interações para que você possa mostrar à essa pessoa que vocês possuem interesses em comum (interesses esses que você descobriu por meio de curtidas na internet, ou dando uma boa stalkeada).
Em um ocorrido memorável de Sex and the City, Carrie decide chamar a atenção do Mr. Big só para ela de uma forma bem extrema: ela aparece no apartamento dele em dias diferentes com roupas temáticas e comidas (diga-se de passagem umas das cenas mais constrangedoras da série). Bom, fazendo aqui o papel de advogados do diabo, ela só queria ser notada por um cara que não poderia se importar menos com ela. Mas como nos anos 90 não tínhamos Instagram, cabia a cada jogadora planejar suas jogadas. O fato de a grande maioria de nós já ter se moldado para agradar alguém expõe que, no nosso âmago, ainda somos inseguros, e nos submetemos a agir de uma forma desesperada. Hoje em um mundo onde mais curtidas é equivalente a maior validação, não são necessárias fantasias para chamar a atenção de um homem (ou são, hihi), mas até quando vamos ter que planejar e postar stories arrumados para no máximo ganhar uma curtida e uma resposta ao stories? Considerando isso, acho que já está, de fato, declarado o fim do romantismo.
Bom, o que vamos concluir agora é: as redes sociais de fato alteraram o curso de como as relações se criam e à essa altura do campeonato já não há mais nada que possa ser feito. Todo esse esforço e disposição de tempo gastos para agradar um perfil do Instagram específico podem e muitas vezes vai ser em vão. Para não perder o costume gostaríamos de citar mais uma música da poetisa contemporânea Sabrina Carpenter. Em Slim Pickins ela fala: “Guess I’ll end this life alone. I am not dramatic, these are just the thoughts that pass right through me. All the douchebags in my phone; play ‘em like a slot machine, if they’re winnin’, I’m just losin (Acho que vou acabar esta vida sozinha. Não sou dramática, esses são apenas os pensamentos que passam por mim. Todos os idiotas no meu telefone; jogo com eles como em um caça-níquel, se eles estão ganhando, eu estou apenas perdendo)‘”.
Acredito que a letra já diz tudo: se eles estão no controle, isso já declara a nossa derrota. É como se sempre estivéssemos em um cabo de guerra, e quem soltar primeiro perdeu. Mas não podemos perder as esperanças! A vida realmente é uma caixinha de surpresas; por exemplo, quando que eu, Pedro, esperava viver uma situationship de 5 dias? E não é que aconteceu?!
E assim como no Big Bang, tudo começa de forma intensa, caótica e cheia de possibilidades. Até que, tão rápido quanto surgiu, a nossa situationship colapsa e a gente já está mirando no próximo alvo no Instagram (e rezando pra que a próxima não venha como um bug do milênio e cause um pane no nosso sistema nervoso!)
Nós aqui, apesar de toda a autossabotagem, ainda somos eternos otimistas, e acreditamos fielmente que ainda escreveremos sobre coisas mais românticas. Mas por agora, deixamos com vocês o questionamento: se você fechar o Instagram por uma semana, seus problemas ainda vão existir?
Como prova de que nós não somos dois overth!nkers crônicos, compartilha aqui nos comentários alguma experiência sua que te fez se identificar com o post! ou então só nos conta o que você achou :)



WE ARE BACK!!!
o comeback dos overthinkers!!! <3