Hoje faz um ano que tive minha primeira experiência profissional, no lugar mais genérico possível: um Call Center. Não só isso, mas também posso dizer que foi o meu relacionamento mais curto. Seriam três semanas o limite para um relacionamento unilateral?
Debatendo com minha coworker sobre sua atual situationship, chegamos à seguinte conclusão: estar conversando com um homem seria o equivalente moderno a passar horas e horas no telefone em um Call Center ouvindo musiquinha (criando expectativa) e esperando o atendimento (se chegar a sua vez). E de fato, é.
Partindo do início, chamo a Mel aqui pra contextualizar o ocorrido:
Vamos chamar esse homem de Sr. P: Há mais ou menos um mês, ele começou a me seguir no Instagram (o que por si só já é um começo nada orgânico). Conversa vai, conversa vem; tudo parecia estar indo muito bem nessa online situationship (considerando o meu histórico): Sr. P me respondia rápido, não só rápido mas respondia todas as mensagens, demonstrava grande interesse, tínhamos trocas interessantes vindas de ambos os lados, resumindo, eu achei que poderia ter encontrado o meu GBOTY (Golden Boy of The Year)
…Até a chegada da tão temida: a primeira red flag (no caso a primeira que não tem como ignorar, porque red flags eles sempre têm desde a primeira interação).
Em uma terça feira aleatória, depois de muito dizer o quanto precisava me ver, me beijar, me tocar, ele me chama pra ir ver ele. Na casa dele. (alerta de red flag que foi voluntariamente ignorada). Eu, passando por cima de todos os conceitos de self-respect, disse que estava livre de noite! (vale ressaltar que isso foi às 13h) Para a minha surpresa, a resposta dele é um “mds naooo. vou ter que ver se vai rolar” Ok…? Não foi literalmente você que me chamou…?
E para a minha surpresa, de novo, ele simplesmente some. E na sua próxima aparição, às 19h da noite, ele diz “desculpa linda, não vai dar”.
Nem um Call Center demoraria tanto assim pra atender um cliente que busca algo tão simples (sexo casual).
Depois disso, os intervalos de resposta ficaram maiores, as interações mais superficiais e a falta de interesse pairava no ar. Então eu me pergunto: seria aquele o dia da outra? Será que apareceu alguma mulher mais interessante na mesma velocidade em que eu apareci? Existe um consenso secreto de rodízio entre os homens, do qual as mulheres e gays não sabem? Até que ponto o que sai da boca deles é verdade? Ou melhor: até que ponto o que eles escondem por trás de um chat do Instagram é verdade?
Talvez todo esse mistério seja para encobrir o fato de que realmente existe outra, ou talvez não exista outra. Talvez sejamos nós que, inconscientemente, tentamos nos autossabotar criando motivos e cenários mirabolantes, porque simplesmente aceitar o fato de que talvez não sejamos tão especiais assim é difícil de engolir.
Mas também, não é como se faltassem motivos para overth!nk.
Quando entramos em contato com um Call Center, o roteiro é sempre o mesmo: eles são super atenciosos e te respondem de prontidão. Até você realmente ser clara sobre seus interesses. Depois disso eles deixam o microfone no mudo e te colocam em espera. Infinitamente.
Na minha experiência profissional em um Call Center, curiosamente no treinamento é ensinado que jamais devemos quebrar a expectativa do cliente. Lê-se: Você nunca deve dizer não; mas deve esperar que o próprio cliente se canse das suas respostas ambíguas.
Vale ressaltar que, durante o silêncio eterno do outro lado da linha, o protocolo exige que exista algum tipo de interação mínima, ou seja, de tempos em tempos você vai ser surpreendido com um “em um momentinho eu te retorno”, “continue aguardando, por favor”, “estou aqui, ok? qualquer coisa só me chamar” (Deus o livre se você ousar chamar).
O encerramento? Você vai se cansar de aguardar, e vai soltar a seguinte frase: vou desligar então. Quando você tiver um retorno me liga, por favor. Spoiler: você nunca mais ouvir desse número. (até porque, no Call Center a regra é clara: o atendente não entra em contato. O interesse é sempre do cliente, ele que chame).
Percebe a semelhança?



genial
Amei! Pura verdade! 😊