Hoje no trabalho, conversando com a minha colega (shoutout pra nossa leitora Jéssica <3), chegamos ao seguinte tópico: você tem certeza que sabe tudo o que carrega dentro da sua bolsa?
Nos últimos posts, nós falamos bastante sobre as ações que as nossas situationships causaram em nós. Mas como todos sabem: toda ação tem uma reação. Hoje queremos falar sobre as reações que essas relações causaram (e ainda causam) em nós.
Voltando à nossa pergunta, essa metáfora da bolsa me fez pensar sobre os últimos meses, não só neles, mas nos acontecimentos que eles trouxeram (nas pessoas que eles trouxeram). Pra começar a destrinchar essa metáfora, pense naquela ansiedade agoniante que você sente quando está procurando alguma coisa dentro da sua bolsa, que você sabe que está ali, mas não acha de jeito nenhum. Ou para deixar o exemplo mais claro, pense na agonia de quando você sabe que uma certa relação (ou pessoa) não te agrega mais como um dia já o fez, e você fica desesperado atrás daquela coisa que algum dia já tornou ela especial.
Talvez, nos cenários de hoje, essa coisa nem faça mais sentido. Mas um dia já fez, e por isso, você insiste em encontrar ela, pela falsa sensação de controle que saber onde ela está (e saber exatamente o que se perdeu) te traria.
Ou, como disse a poetisa contemporânea Ariana Grande, em uma de suas obras mais refinadas (Needy): “I’m obsessive, and I love too hard. Good at overthinking with my heart. How you even think it got this far?” (eu sou obsessiva e eu me entrego demais. muito boa em pensar demais com o coração; como que isso chegou tão longe?)
Hoje, nós vamos responder a seguinte pergunta: o que nós tanto procuramos dentro das nossas bolsas?
Pedro, aqui. Não é novidade para ninguém que me conhece que eu sou muito fã da Ariana; acredito que em needy ela retrata de forma muito certeira essa sensação de se questionar demais sobre situações que já passaram (lê-se: overth!nk hihi). Até porque, eu posso ser carente (needy) às vezes. Revirando todas as minhas memórias, eu me vejo estagnado em busca do motivo que me fez me apegar tanto a uma pessoa. A resposta? Provavelmente o motivo está, na verdade, na minha cabeça (fazendo referência a outra música da minha musa inspiradora: talvez as respostas e o que eu tanto procuro estejam “in my head”); ou até mesmo pior, só aconteceram na minha cabeça, o que deixa tudo ainda mais dolorido de se pensar, considerando que nada de fato teria sido real.
Em algum momento nessa confusão, eu teria perdido o senso de realidade e fantasiado tanto que fechei os olhos para os problemas que sempre estiveram ali: ignorei as red flags mais óbvias tão bem, que só fui me dar por conta quando já era tarde demais. Em dias que me sinto menos otimista, penso que talvez o que eu tanto procurava, na verdade eu já tenha achado há algum tempo… mas escolho seguir ignorando, pois o que eu encontrei não era a resposta que eu queria.
Spoiler: Você passa tanto tempo procurando o que se perdeu, que acaba se perdendo de si mesmo.
Mel aqui, agora. Pensar sobre o questionamento “o que eu tanto procuro na minha bolsa?” me faz pensar especialmente sobre o que torna as pessoas com quem eu me relaciono (ou melhor, as pessoas em que eu fico obcecada com) tão especiais assim. Tão especiais ao ponto de eu aceitar e tolerar tanta coisa, apenas para sustentar a imagem que eu já havia criado na minha cabeça (e isso revela mais sobre mim do que eu gostaria de ter que encarar em uma tarde de quarta-feira). Isso me leva a pensar também que, se considerarmos então o “fator especial” do outro, uma coisa que eu criei na minha cabeça, não seria eu a pessoa (fator) especial? Talvez, no fim do dia, depois de uma busca incessante e desesperada pelo buraco negro que é a minha bolsa, o que eu estivesse procurando esse tempo todo não era a causa do meu desejo e obsessão pelo outro, mas sim a minha própria essência, que eu deixei se perder tantas bolsas atrás.
Como nem todas referências nesse mundo vêm de divas pop, agora eu cito Heráclito (filósofo grego não tão contemporâneo): “Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio” porque não somente o homem haveria mudado entre os períodos, mas o rio também não seria mais o mesmo.
Com isso nós queremos dizer que: por mais que seja difícil de engolir, não existe sentido em passar tanto tempo em busca de algo perdido dentro da sua bolsa, porque quem você era quando perdeu (ou quem a outra pessoa já foi um dia) não é mais a mesma que procura o que foi perdido. Focar tanto da sua energia em volta do que já foi perdido, acaba apenas afastando você das novas perspectivas que essa perda trouxe; até porque, toda história tem dois pontos de vista. Toda perda tem o seu ganho.
Ou seja, você pode ver a sua failed situationship como uma perda de tempo, ou perda de si mesmo; mas basta virar um pouco a cabeça para perceber que, ao longo do caminho, você pode ter encontrado tudo o que precisava nesse tempo; basta olhar com outros olhos. Isso (definitivamente) não é sobre homens, mas esse tópico fica pra semana que vem.
Mas cá entre nós, se você busca algum tipo de consolo, eu te digo: quando a sua bolsa atual não te serve mais da mesma forma, revirar as suas bolsas antigas nunca deixou de ser uma opção. Talvez isso seja sobre homens. Entenda como quiser.
Como prova de que nós não somos dois overth!nkers crônicos, compartilha aqui nos comentários alguma experiência sua que te fez se identificar com o post! ou então só nos conta o que você achou :)



Primeiramente, obrigada por me mencionar! 🫶🏻
Eu acredito que a vida seja exatamente isso: muitas vezes nos apegamos a algo que já se perdeu, enquanto tantas coisas continuam acontecendo ao nosso redor. O mais importante é não nos perdermos junto com um objeto, uma situação ou até mesmo uma pessoa. Às vezes, deixar ir não é perda, é livramento! ☺️