Um pequeno disclaimer antes de começarmos: quando planejamos essa pauta há três semanas, nós dois estávamos na mesma situação de barril e com 0 (zero) perspectivas boas sobre o amor. Acontece que, no dia em que fomos para uma festa com um único objetivo: conseguirmos entrevistas para esse post, o Pedro conheceu a metade da sua laranja bizarra. Valeu Pedro, você acabou com a nossa credibilidade e imparcialidade.
Alguns dias atrás, eu (Pedro) estava indo para a casa da Mel, quando tive uma visão dos infernos: em um intervalo de dois minutos, seis casais (!!!) passaram por mim. Rindo, de mãos dadas, sendo fofos juntos… esfregando na minha cara algo que não tenho. E eu fiquei a pensar: realmente, todo mundo está achando a sua metade, menos eu.
Seguindo essa linha de raciocínio, eu trouxe esse questionamento para a Mel, e nós reparamos que vários amigos que eram nossos companheiros de batalha (lê-se: nos acompanhavam para noitadas insanas) estavam começando a settle down e entrando em relacionamentos. Enquanto tudo isso acontecia, nós da Over, que vivemos essa vida em conjunto, só acabamos encontrando homem bomba atrás de homem bomba.
Foi dessa forma que tivemos a ideia de entrevistarmos pessoas em uma festa trazendo o seguinte questionamento: quais as suas perspectivas para o amor nos dias atuais (lê-se: idade das trevas)?
Para provar que o amor está no ar, nossos primeiros entrevistados foram um casal: O Gustavo e o Bruno. Eles estão juntos há dois anos, e de forma geral, disseram que depois desse tempo como casal, não conseguem mais se ver um sem o outro. Mas adicionaram um ponto interessante: a visão deles sobre o mundo dos relacionamentos hoje, não é como já foi em outro tempo ou sequer otimista. “No momento as pessoas não estão procurando relacionamentos sérios, só momentâneos”, adiciona Gustavo, e Bruno completa: “é a procura da carência: a ânsia de ter e o tédio de possuir.”
E de contrapartida, agora entram os solteiros: Mariana, solteira, hétero. “Nós, mulheres, temos que agir mais, porque os homens não fazem nada. [...] Hoje somos nós que temos de dar o primeiro passo, porque se não dermos, eles não dão.” Ao questionar quais são suas expectativas para o ano, ela completa: “Já perdi as esperanças para um relacionamento esse ano, mas se aparecer alguém, vou ter que me agarrar, porque tá difícil.”
Lucas, solteiro, gay. “Sinto que o amor hoje é muito relativo… Às vezes queremos alguém que esteja lá por nós quando precisamos, mas também é muito bom ter a própria liberdade e vontade... poder se curtir.” Sobre as expectativas, ele vem com a pedrada: “Hoje é como se entrar em um relacionamento parecesse tão fácil pras outras pessoas, e pra mim tão difícil.”
Surpreendentemente achamos algo em comum entre os universos LGBT e hétero! Todos acreditam estar em um mar de azar. Nesse cenário atual, seria impossível achar sua alma gêmea? Ao que parece sim. Gostaríamos de finalizar as entrevistas destacando o caso de uma amiga pessoal, onde entrevistamos o ficante dela (sentimos muito pelo que está por vir Sammy…); como ela não estava presente, ele se sentiu livre para soltar a sua verdade: disse que gosta demais dela, que é perfeita e que estão quase namorando… mas que falta só um detalhe. O que seria esse detalhe? Nós não fazemos ideia, e honestamente, talvez nem ele saiba. O que tanto impede o quase de ganhar o título de oficial…? Seria algo que falta nela, ou uma falta da parte dele, que não pode suprir o que ela precisa
Pedro. aqui. Eu queria poder estar falando sobre minhas perspectivas ruins como sempre, mas estaria mentindo. Bastou um twink bonitinho match my freak, que eu estou otimista novamente. É galera, acho que finalmente os refrescos vieram, e falo isso com a mais pura das intenções, quero dizer, espero que ele tenha intenções puras também, e que dessa vez possa dar certo. Bom, contextualizando, ironicamente conheci ele em um dia que passamos a semana manifestando que iria ser lendário (pasmem: foi mesmo). Anyways, achei que ia ser mais uma ficada casual (já que é o máximo que estamos conseguindo ultimamente), mas o universo tinha outros planos. O maior objetivo de ir nessa festa era conseguir material de entrevista para esse post e enfim provar nossa tese de que estamos na idade das trevas dos relacionamentos, mas como o universo não brinca em serviço, eu acho que ter conhecido ele pode ser meu último raio de esperança. (deixo aqui, em tempo real, meus sentimentos e expectativas com esse cara… mas não descarto a possibilidade de eu quebrar a cara mais uma vez e isso não dar em nada.. errr, torçam por mim) Será então que, após finalmente superar o meu Mr. Big, finalmente encontrei meu Aidan? Moral dessa história: a esperança é a última que morre!
Se vocês sentiram um pontinho de esperança lendo o relato do Pedro, eu recomendaria baixarem as expectativas para o relato da Mel a seguir… porque lá vem bomba.
Mel, aqui. Pois eu como uma boa amargurada vou chegar com os dois pés na porta e gritar: É MENTIRA!!! Enquanto no dia dessa festa o Pedro encontrou (possivelmente) a sua metade, eu tive que ouvir, da boca do meu ficante (que topou a entrevista) que ele NÃO está a procura de um relacionamento, e que se estivesse, nem sequer estaria naquela festa. (off: no áudio da entrevista é possível sentir o desconforto de ambos quando ele solta a bomba… top momentos mais awkwards do ano) Pois é amigos, brutal. Não há mais esperanças. Só neste mês de maio que passou, eu terminei duas situationships que eu realmente pensei que pudessem, em um momento de ilusão da minha parte, desencadear em um relacionamento. Não só isso, mas como eu levei um ghosting brutal de um cara (vale ressaltar que ele me prometeu montanhas) depois que eu transei com ele. Sem contar com esse fora do meu ficante… A pista não só está salgada, como também está amarga. Indo mais a fundo, eu fico pensando que esse novo modelo de relacionamentos modernos acaba afetando também as pessoas que têm esperanças no amor e que realmente buscam algo sério; usando eu mesma como exemplo: já fui muito uma hopeless romantic, melosa e que sempre ansiou por amor. Errr… depois de tantas desilusões e de quebrar a cara tantas vezes, eu estou lentamente me tornando o que tanto odiei: uma pessoa que busca apenas relacionamentos rasos e casuais. Seria possível que repetidas decepções pudessem transformar um romântico em alguém emocionalmente indisponível? (acho que vamos poder chegar nessa conclusão juntos ao longo dos próximos posts)
Em meio ao caos da nossa saída de campo (vulgo as entrevistas) podíamos observar algo em comum entre todos os entrevistados solteiros: o olhar vazio e sem esperança que tomava a feição deles enquanto eles percebiam, naquele momento, que eles não tinham perspectivas boas em relação ao amor. Sendo isso válido tanto para as pessoas que buscam por algo profundo, mas não conseguem encontrar alguém na mesma página, e tanto para aqueles que não buscam nada profundo e acabam, sem querer, quebrando as expectativas daqueles com quem se relacionam.
Nos tempos modernos, a pista está tão mas tão salgada, que nem na pista de dança o pessoal está conseguindo se divertir.
E como não pode faltar uma referência pop nos nossos posts, nossa irmã Sabrina Carpenter foi revolucionária quando disse em um de seus poemas: “Here we go again, crying in bed, what a familiar feeling: all my friends in love and i’m the one they call for a third wheeling [...] There’s nobody son, not anyone left for me to believe in.” (lá vamos nós de novo, chorando na cama, que sentimento familiar: todos os meus amigos se apaixonando e sou eu quem eles chamam pra ficar de vela [...] não restou ninguém pra eu acreditar.)
Finalizando esse post, percebemos que essa edição fugiu totalmente do nosso controle. O plano era entrevistar pessoas para provar nossa tese de que estamos vivendo a idade das trevas dos relacionamentos. E no fim, encontramos como resposta justamente o que torna esse assunto tão frustrante: ninguém sabe de nada. Enquanto o Pedro passou a jogar para o lado do todo mundo e saiu da festa com esperanças, eu (Mel) saí de lá com menos esperança do que tinha quando entrei. (rezem por mim, por favor. ou a próxima vez que vocês me verem vai ser em um manicômio)
Alguns diriam que o amor está desaparecendo, outros nem nos ouviriam chorando as pitangas porque estariam ocupados, de fato, vivendo esse amor. E nós? Errrr…. (silêncio representado). Então vamos encerrar assim, com a única certeza que podemos dar: enquanto algumas pessoas estão encontrando a pessoa da vida delas em uma festa qualquer, outras ainda estão tentando entender por que (!!!!!) o maldito quase nunca vira algo real. E talvez a parte mais irritante de todas seja essa: Ninguém sabe em qual dos dois grupos vai estar amanhã. Muito menos nós.
Como prova de que nós não somos dois overth!nkers crônicos, compartilha aqui nos comentários alguma experiência sua que te fez se identificar com o post! ou então só nos conta o que você achou :)



o pedro ter encontrado a metade da laranja bizarra dele na noite em q ele tava fazendo entrevistas sobre o amor NAO estar no ar só pode ser obra do universo
esse é o jornalismo que o Brasil precisa ☝️ amei!